Alfarrábios

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Nome: Maira C.
Local: Porto Alegre, RS, Brazil

Terça-feira, Setembro 30, 2008

E se eu chegar
E te destratar
E se eu nem ligar
Valeu
Valeu
Valeu
E se eu discutir
E te corrigir
E se reagir...
Valeu
Valeu
Valeu
Não tô nem aí
Eu vou é fugir
E te distrair
Pois é...
Pois é...
Pois é...
E se ignorar
E se alguém tentar
Vou te derrubar
Pois é...
Pois é...
Pois é...
E se encanar
Vou te atropelar
Não vou nem olhar
Valeu
Valeu
Valeu!

Consumidor
Consumido...
... Dor.

Terça-feira, Julho 17, 2007

Falésias
Montes
Onde estão?
Teus olhos
No portão

Desgastes
Vidros
Quem te deu?
A cor
da amplidão

Rosáceas
Luzes
Que vitrais?
Dirão
Onde estás...

A vida inteira
Como um rio
Levou-te
Nunca mais.

Tudo sempre igual
A passar por mim
Não tenho dono
Não sonho planos
Não sei o fim

Por onde passo
Os mesmos braços
Sorriem sim
Mas quando acho
O certo é falso
É sempre assim

Vivendo em ondas
Fazendo rondas
Sigo enfim
Os mesmos planos
Nos mesmos anos
Até o fim...

Nas tuas
Mãos frias
Eu vejo
A lua
Que na imensidão
Do teu corpo
Flutua
Estrelas marinhas
Algas cadentes
Deslizam
Nas tuas vertentes
Assumem-se
Enfeites
Precisos

Nas tuas correntes
Flutuam planetas
Vadios
Que na solidão
Em silêncio, contemplas
Navios
Conchas marinhas
Sóis e cometas
Gravitam
Nos teus doces mares
Desfazem-se
Em areia
Ou granito...

Poemas inacabados
São poemas nus
Mostrando os seus defeitos
A qualquer um
E as qualidades
Que possam ter...
Inacabadas essências
Despidas
Aos olhos
Alheios.

Minha pele
Não tem dono
Tem o fogo, a água
O gelo e o sal.
Minha pele
Não tem planos
Ela sabe o dia
Do Juízo Final.

O sol na rua
Nas pedras nuas
Na tarde quente
A rua brilha

O sol e a lua
Calor e mistério
Vida e morte
Pequenas lutas
Do ser humano

No universo
De sóis e luas
As estrelas passam
A morte chega
Renascimento
Sorte
Sementes
A germinar.

Eu não posso te dar
Sentimentos contidos
Amores medidos
Olhares perdidos
Eu não posso te dar.

Eu não posso te dar
Gestos estudados
Temores guardados
Amores isolados
Eu não posso te dar.

Eu não posso te dar
Encontros sem compromisso
Passagem sem visto
Altar sem Cristo
Isto
Eu não posso
Te dar.

Rua nua
Lua rasa
Rosa tua
Minha casa

Lua nova
Cova rasa
Minha rosa
Tua casa

Minha rua
Tua lua
Rosa nua
Lua casa

Me sinto
Um kanikama
Descontente
Nem bem siri
Nem bem peixe
Nem cozido
Nem bem cru
Talvez...
Fique bom com shoyu!
O que fazer com um kanikama?
(...Descontente
Nem bem siri
Nem bem peixe
Nem cozido
Nem bem cru...)

- Talvez fique bom com shoyu!
O que fazer com um kanikama?...

Se voce for prá Portugal
Ficarei orfã
De pai e mãe.
Ficarei jogada
Na calçada
Como folha de jornal
Que ninguém quer.
Serei um nada
Um vácuo
Um espelho quebrado
Sete anos de azar.
E, não me leve a mal!
Mandarei pelo correio
Meus cacos,
Para ti
Em Portugal.

Terça-feira, Janeiro 16, 2007

O blues é como a noite
Cheia de estrelas soltas
A passar despercebida
E o azul
Se espalhando...
Pelo corpo
Pelos olhos
Através da pele
A magia fluindo
Num pensamento azul...

O blues é como a noite
Embebendo as ruas
As sombras encharcadas
Os passos silenciosos
Ecoando nas calçadas
Estrelas vagando soltas
E o azul se espalhando...
Pelo corpo
Pelos olhos
Através da pele
A magia fluindo
Num pensamento azul...

O blues vem da tristeza
Embebendo as almas
Os olhos encharcados
Os rostos silenciosos
Dos bares mal-afamados
Pessoas vagando soltas
E o blues se espalhando...
Pelo corpo
Pelos olhos
Através da pele
A magia fluindo
Num pensamento azul...

O blues é um vagabundo errante
E somos todos viajantes
Sob a lua
Pelas ruas
Nas esquinas
De um planeta
Blues...

Palavra
Linha tesa
Faca
Na garganta
Flecha veloz
Que corta o ar
Sem volta

Voz
Que emerge
Plasma
Inventa

Quinta-feira, Janeiro 04, 2007

Musical Saracura II

Detalhe da contra-capa do disco, com as letras de Flor e Toda Moça, e as assinaturas de Chaminé, Sílvio Marques e Pezão.


Aqui em baixo um link para a Revista SenhorF, onde tem uma entrevista com Arthur de Faria falando do Saracura: http://www.senhorf.com.br/revista/revista.jsp?codTexto=2455

Terça-feira, Dezembro 19, 2006

Musical Saracura I




FLOR

Flor
Que desabrocha no sertão
Tem que ser toda como areia
Que vive ao seu redor
Constante sol
Ou então, vai ser mais uma só
Mais uma só, mais uma só...

(Nico Nicolayewski/Sílvio Marques)


TODA MOÇA

Toda moça da cidade
Leva dentro um fogo
Que arde
Molha os olhos na fumaça
Dos amores passageiros
Nó na língua, dor no peito.

Entre anzóis e moços lindos
Carretéis, ruas, estradas
Toda moça tem vontade
De ser mulher de madrugada.

(Sílvio Marques/Orlando Nascimento)


Dei um tempo nas minhas poesias para publicar estas letras. Estou saudosista! Este fim de semana relembrei uma época ótima de Porto Alegre, musicalmente falando. Esta é uma música linda de um grupo daqui que alguns nem devem conhecer, pois fez sucesso nos anos 70/80. Chamava-se Musical Saracura.

O disco em vinil leva o nome de Saracura, e foi gravado no período de abril/agosto de 82, pela ISAEC/POA, com produção de Aires Potthoff.

Tem músicas que são clássicas como Tango da Mãe, Nada Mais e Marcou Bobeira, de Cláudio Levitan. As melhores, prá mim são todas as do lado B: Toda Moça (Sílvio Marques e Orlando Nascimento) é linda, e junto com Flor, Nada Mais e Marcou Bobeira fecham o disco.

Como prometido, as fotos da capa e contra-capa do meu vinil, devidamente autografado por todos da banda, Sílvio Marques, Nico Nicolayewski, Fernando Pezão, Zé Flávio, Chaminé, mais De Santana na percussão!

Procurei na Internet alguma foto ou outras informações da banda e não achei, por isso resolvi colocar aqui.

Quarta-feira, Dezembro 06, 2006

O Ederson pediu, tá aí... Mais uns escritos guardados na gaveta...

A alma
Desarmada
Ama
Desalmada
Mata
Desamando
Ata
Ao seu ser
As linhas
Que o destino
Traça.

Raia
Ilumina
Bebe
Água-viva
Lava leva
No olhar
Piscina
O verde
No mar
Da retina...

Tudo o que eu faço
Tem um significado
Gesto, olhar, presente, cor
Tudo que eu digo
Tem duplo sentido
As palavras
Que aliciam
E entregam
O que quero
Para quem sabe
Entender.

A voz
Palavra
Vida que passa
Pensamento
A lâmina breve
Da vontade
Rasga
O vento.

O que passa
Na cabeça
Dessa gente
Displiscente
Que trabalha
Como escrava
E sorrindo
Vai prá casa
Apesar
De não ter nada
Prá comemorar?

O que passa
Na cabeça
Dessa massa
Desvalida
Que não sabe
Como vai
Subir na vida
Sem escola
Sem dinheiro
E sem lugar?

O que passa
Na cabeça
De quem pensa
E se senta
Numa mesa
E só inventa?
Que cercado
De riquezas
Se dispõe
A assinar
Condenando
O futuro
Dos que não
Sabem
Falar.

Quarta-feira, Outubro 25, 2006

O pêndulo
De um relógio
Inexistente
Bate as doze
Badaladas
No meu coração
E eu
Feito um zumbi
Descrente
Parado em frente
Ao teu portão
Espero paciente
Ver teu rosto
Ausente
Flor
Na escuridão.

Eu não quero
Sexo
Eu não quero
Nexo
Quero apenas
Tua mão na minha
Mão
Eu não quero
Nada
Eu só quero
Tudo
Teu amor
E a minha
Solidão

Solidão que existe
Solidão que insiste
Muito embora
Tu não acredites
Eu
Te digo
Não...